quarta-feira, 4 de junho de 2008

Poema


São horas de voltar.
Tu já não vens, e a espera
gastou a luz de mais um dia.

Agora, quem passar
trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,
mas terá outro nome e outro perfume.

Eu volto à casa onde contigo se demorou o verão
e arrumo os livros, escondo as cartas,
viro os retratos para a mesa.

Sei que o tempo se magoou de nós,
sei que não voltas,
e ouço dizer que as aves partem sempre assim, subitamente.

Outras virão

(Maria do Rosário Pedreira)

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